Linguagem
Quatro erros que mais custam ponto na discursiva
Não são erros de gramática. São erros de leitura do que a prova pediu — e por isso passam despercebidos por quem estuda sozinho.
08 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
Quem corrige muita redação para de ver erros novos. Os mesmos quatro aparecem em texto de candidato iniciante e de candidato experiente, e nenhum deles é de ortografia.
1. Argumentar por repetição
Dois parágrafos que dizem a mesma coisa com palavras diferentes não são dois argumentos. A banca conta ideias, não parágrafos.
2. Repertório de enfeite
Citar um filósofo e não usar a citação para nada é pior do que não citar. O repertório precisa sustentar a tese, não decorar o texto.
E vale conferir o edital antes: as bancas determinam o enfoque, e citação por si só não garante ponto nenhum. O que pontua é a citação fazendo trabalho dentro do argumento.
3. Fugir do comando
A prova pede “discuta”, o candidato descreve. A prova pede “analise os fatores”, o candidato opina. Ler o comando duas vezes antes de escrever custa um minuto e salva a nota.
Quando a banca não oferece comando nenhum, atenha-se ao texto dissertativo-argumentativo: a base é dissertar e argumentar, e é isso que ela vai avaliar.
4. Primeira pessoa e informalidade
“Devemos estar atentos”, “podemos citar”, “no nosso país”. Quase ninguém escreve “eu acho” numa prova — o que aparece o tempo todo é a primeira pessoa do plural, que passa despercebida porque soa formal.
Registro é critério, e é o mais fácil de corrigir de todos: basta reler caçando “nós”. Troque pela terceira pessoa ou pela partícula “se”: “é preciso atenção”, “cita-se”, “no país”.
Da teoria para o seu texto